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Um compositor e cantor popular de Padim da Graça, Braga, está a ser julgado por alegada difamação a uma empresária da mesma freguesia, que pede uma indemnização de seis mil euros por uma canção sobre “o grilo da Zirinha”. Veja o vídeo com a música.

A queixosa, de nome Alzira e vizinha do cantor, alega que o tema insinua que os dois “tiveram um caso amoroso” e que a canção a torna alvo de chacota popular. Diz ainda que até as crianças da freguesia já cantam “o grilo da Zirinha” e que sempre que ouve o tema fica “uma pilha de nervos”.

Na primeira audiência do julgamento, que decorre no Tribunal de Braga, a queixosa ficou nervosa, desmaiou e teve de ser assistida por um médico do INEM, quando o juiz decidiu “passar” aquele tema.

O tema chama-se “Cacei o grilo” e faz parte de um CD lançado pelo cantor João Miguel da Costa, sendo por este cantado nas festas e eventos em que participa.

O cantor estará, assim, a ganhar dinheiro à custa do “grilo da Zirinha”, pelo que a empresária de Padim da Graça quer ser indemnizada.

A segunda sessão do julgamento foi preenchida com o depoimento de uma sobrinha da arguida, que “dissertou” sobre a conotação sexual da palavra “grilo” e sobre os vários outros nomes por que é conhecida, na gíria popular, a vagina.

Aquela testemunha, professora, manifestou-se convicta de que, com a letra daquela canção, o arguido quis sugerir que mantivera um relacionamento sexual com a tia.

Uma convicção que manteve mesmo depois de confrontada com certos textos de Gil Vicente ou mesmo com a “A garagem da vizinha” de Quim Barreiros, para aferir do eventual tom de brincadeira da canção.

O arguido negou a intenção de difamar ou de ofender quem quer que fosse, disse que tinha uma relação “de grande amizade pessoal” com a queixosa e sublinhou que na freguesia há mais que uma Alzira. Alegou que foi tudo uma questão de rima.

Na letra, João Miguel da Costa apresenta a Zirinha como amiga e diz que um dia lhe pediu para que a ela a deixasse tocar no “grilo”.

A Zirinha “não pôs isso em questão”, não disse que não, e então o cantor começou “a apalpar”.

No refrão, João Miguel repete, alegremente “Cacei o grilo na toquinha, cacei o grilo à Zirinha”.

O julgamento prossegue a 3 de abril.

Fonte: www.jn.pt

 

O processo que o cantor popular de Braga enfrenta em tribunal por causa da sua música sobre “o grilo da Zirinha” já lhe valeu uma nova editora. Na calha, João Miguel da Costa até já tem um novo disco, em que canta “o peixinho da Maria”.

“Com as entrevistas que dei em todo o lado, apareceu-me uma nova editora, que vai divulgar melhor os meus discos”, afirmou o artista, no tribunal de Braga, antes da audiência do julgamento.

O homem, que é distribuidor de bebidas e cantor nos tempos livres, foi processado por uma empresária da freguesia de Padim da Graça, vizinha do cantor, chamada Alzira. A queixosa – casada, mãe de três filhos e avó – alega que a canção Cacei o grilo a tornou alvo de chacota na aldeia e que isso lhe provocou problemas de saúde. Pede por isso uma indemnização de 6000 euros, alegando que o tema insinua que os dois “tiveram um caso amoroso”.

Na audiência que decorreu nesta quarta-feira, uma vizinha da mulher disse que, desde que a música foi lançada, ela “nunca mais teve sossego, está sempre com depressões, sempre doente, sempre a chorar”. De resto, na primeira sessão do julgamento a mulher desmaiou e teve mesmo de ser assistida pelo INEM quando o juiz do processo deu ordens para que pusessem a música a tocar. Nesta quarta-feira, a queixosa nem compareceu no tribunal.

A vizinha sublinhou ainda que, em Padim, aquela é a única Zirinha que conhece e garantiu que, desde que a música ficou conhecida, a vizinha “andou no trombone de toda a freguesia”.

A canção começa com os versos “Vi o grilo à Zirinha, dava gosto para ele olhar. E eu pedi à Zirinha para me deixar tocar”, e prossegue com outros trocadilhos, ao estilo da música “pimba”.

Na primeira audiência, o cantor negou a intenção de difamar a vizinha, com quem dizia manter uma relação de amizade, e defendeu-se dizendo que “há outras Alziras na freguesia”. Padim da Graça é uma localidade com apenas 1500 habitantes e três quilómetros quadrados. O caso deu que falar e até o presidente da junta de freguesia, João Moreira, deu razão à queixosa. Alzira “é uma pessoa séria, respeitada, com dois filhos” e que, por isso, “tem toda a razão” ao dizer-se ofendida pela cantiga, afirmou o autarca ao PÚBLICO.

Agora, Miguel da Costa prepara-se para lançar um novo CD com um tema sobre o “peixinho da Maria”. “Estou para ver qual será agora a Maria de Padim da Graça que me vai processar”, referiu, com ironia.

As alegações finais do julgamento estão marcadas para 18 de Abril.

Fonte: www.publico.pt