“E mais. Esta exibição constante da nudez expõe os outros utilizadores do balneário a um problema. O protocolo, no balneário, é não olhar para o negócio dos outros utentes. É fácil não reparar em utentes que exibem moderadamente a nudez. Tira a toalha, veste a cueca; tira a cueca, põe a toalha. A nudez passa despercebida. Agora, a nudez do utente que anda sempre todo nu chama a atenção. Mesmo que a gente não queira ver. Porque, inevitavelmente, há bizarrias anatómicas, há farfalheiras grotescas, há pendurezas. E uma pessoa dá por si a olhar para indivíduos nus e a pensar: “Que é aquilo? Eu não tenho aquela parte do corpo. Então mas aquilo devia ser roxo?” Coisas assim. Eu tenho sido confrontado com opções muito questionáveis de estética capilar. Há dias vi um senhor que tinha escolhido, para o seu baixo ventre, o penteado de Isaac, o empregado do bar do Barco do Amor. E não me façam falar de pendurezas. Certo indivíduo, no meu ginásio, possui uma série de pendurezas que se assemelham a cristas de peru.” in Mixórdia de Temáticas


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