Nem a mudança de filosofia na abordagem dos pivots da RTP ao comentário de José Sócrates e uma nova polémica entre o ex-primeiro-ministro e o jornalista José Rodrigues dos Santos em plena emissão conseguiram fazer o Telejornal descolar nas audiências.


Este domingo, o Jornal das 8 da TVI com o comentário de Marcelo Rebelo de Sousa voltou a deixar o Telejornal da RTP1 à distância de 900 mil espectadores, de acordo com os dados da GfK disponibilizados pela Marktest/Mediamonitor.

O Jornal das 8 foi o programa mais visto do dia, registando 32,8% de share e 15,5% de rating, o que corresponde a 1,5 milhões de espectadores. Já o Telejornal ficou em décimo lugar, com uma quota de audiência de 13,4% e 7,9% de rating, o que significa uma média de 600 mil espectadores. O programa mais visto da RTP foi o concurso de talentos musicais The Voice Portugal, que ficou em terceiro lugar no top 15, com um milhão e 84 mil espectadores, a seguir ao também concurso A Tua Cara Não Me É Estranha: Kids, da TVI, seguido por 1,375 milhões de pessoas.

A 23 de Março José Sócrates mudou de interlocutor no Telejornal da RTP, que passou a ser conduzido alternadamente por José Rodrigues dos Santos e João Adelino Faria. Nesse dia, o jornalista José Rodrigues dos Santos questionou José Sócrates sobre algumas discrepâncias no seu discurso enquanto primeiro-ministro e agora como comentador.

O antigo governante e ex-líder do PS admitiu em directo que não estava “preparado” para este formato diferente e para ser confrontado e avisou que se iria preparar melhor para futuros comentários. O episódio levantou alguma discussão sobre o tipo de formato que estava em causa na intervenção de José Sócrates – se se deve tratar de mero espaço de comentário em que o convidado diz o que quer, ou se este deve poder ser questionado e confrontado, num registo quase mais perto da entrevista.

A RTP já disse que a nova filosofia, mais dinâmica, é para manter e José Rodrigues dos Santos justificou que cumpriu o seu papel enquanto jornalista. Este domingo, Sócrates e Rodrigues dos Santos voltaram a partilhar a mesa do Telejornal e houve alguma animosidade latente durante a conversa que versou, em boa parte, a entrevista de Durão Barroso ao Expresso, na passada semana, e a alegada falta de supervisão do Banco de Portugal, então liderado pelo socialista Vítor Constâncio, sobre o BPN. E também a questão do dinheiro disponível nos cofres do Estado na Primavera de 2011 – cerca de 300 milhões de euros -, quando o PEC IV não foi aprovado e Portugal teve que pedir ajuda internacional.

Os “arquivos”, o “advogado do diabo” e o “insulto”
Depois de tentar várias vezes contrariar os “arquivos” de Rodrigues dos Santos,  José Sócrates questionou a postura do jornalista, que lhe fazia várias perguntas. “Eu compreendo o seu ponto de vista. Você acha que nestas circunstâncias se deve comportar de forma adversarial, no sentido de se colocar no papel do advogado do diabo… Estou a citá-lo bem? [O jornalista havia dito que lhe cabe fazer esse papel, justificando as suas diversas perguntas]. Mas até o advogado do diabo pode ser inteligente e pode perceber. Não basta papaguearmos tudo aquilo que nos dizem para fazermos uma entrevista”, ao que José Rodrigues do Santos respondeu, já depois de uma longa resposta de Sócrates, minutos depois: “Muito bem. Fica registado o seu insulto, ao qual não vou responder.”

Apesar da curiosidade e interesse que esse novo formato possa vir a despertar no futuro, a verdade é que a performance do Telejornal este domingo representa uma descida em relação às duas semanas anteriores.

A 29 de Março, com João Adelino Faria como pivot, o telejornal teve um rating de 7,9%, o que equivale a 765 mil espectadores. Foi num sábado, o que significa que Sócrates não tinha a concorrência de Marcelo Rebelo de Sousa, à mesma hora, na TVI. Mas tinha a de outro antigo líder do PSD, Luís Marques Mendes, no Jornal da Noite da SIC, cujos 10,2% de rating significaram 988 mil espectadores.

No dia 23 de Março, quando José Rodrigues dos Santos se estreou a interpelar José Sócrates, o Telejornal foi seguido, em média, por 639 mil pessoas, ao passo que o Jornal das 8 da TVI teve 1,423 milhões de espectadores.

Fonte: www.publico.pt